Teste de rastreio rápido, de papel e lápis, que avalia de forma integrada compreensão verbal, memória semântica, planejamento e funções executivas, atenção visuoespacial e praxia construtiva. Complementa o MEEM, que é predominantemente verbal e pouco avalia funções visuoconstrutivas.
Aplicação (Okamoto, 2001)
A — Desenho espontâneo: em folha A4 em branco, peça: “Gostaria que o(a) senhor(a) desenhasse a frente de um relógio, com seu contorno e seus números”. Somente após o desenho, solicite os ponteiros marcando oito horas e vinte minutos. Pedir o horário depois evita que o paciente use a hora como estratégia para dispor os números. O horário 8:20 exige recodificar “20 minutos” para o número 4.
F — Cópia (opcional): o paciente copia um relógio-modelo com o mesmo horário. A comparação entre cópia e desenho espontâneo ajuda a distinguir erro conceitual (melhora com o modelo, típico da doença de Alzheimer) de déficit visuoperceptivo (sem melhora).
Pontuação — escala de 15 pontos (Freedman et al., 1994)
Componente
Critérios (1 ponto cada)
Contorno (2)
Contorno aceitável; tamanho médio
Números (6)
1 a 12 sem adição/omissão; só arábicos; ordem correta; papel não rodado; posição correta; todos dentro do contorno
Ponteiros (6)
Dois ponteiros/marcas; hora indicada; minutos indicados; proporção correta; sem marcas supérfluas; ligados (até 12 mm)
Centro (1)
Desenhado, inferido ou extrapolado
Interpretação (amostra brasileira — UNIFESP)
Medida
Ponto de corte
Sensibilidade / Especificidade
Desenho espontâneo (A)
≤ 11 pontos
80,0% / 90,7%
Diferença cópia − espontâneo (F − A)
≥ 2 pontos
74,0% / 76,7%
A ≤ 11 associado a MEEM ≤ 25
—
94,0% / 97,6%
A cópia isolada não discriminou bem pacientes de controles. O teste não diferenciou comprometimento cognitivo leve de controles, e a idade influenciou o desenho espontâneo. Os valores derivam de uma amostra de 108 indivíduos com 55 anos ou mais e servem como referência, não como critério diagnóstico. Aplique junto com o MEEM.
Outras escalas de pontuação
Shulman (0–5; ≤ 3 sugere avaliação adicional) e Sunderland (0–10; ≤ 6 sugere comprometimento) também são utilizadas, geralmente com o horário 11:10. Os pontos de corte não são intercambiáveis entre escalas.
Bibliografia
Okamoto IH. Aspectos cognitivos da doença de Alzheimer no Teste do Relógio: avaliação de amostra da população brasileira [tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo — Escola Paulista de Medicina; 2001. Disponível em: repositorio.unifesp.br.
Freedman M, Leach L, Kaplan E, Winocur G, Shulman KI, Delis DC. Clock drawing: a neuropsychological analysis. New York: Oxford University Press; 1994.
Shulman KI. Clock-drawing: is it the ideal cognitive screening test? Int J Geriatr Psychiatry. 2000;15(6):548-61.
Sunderland T, Hill JL, Mellow AM, Lawlor BA, Gundersheimer J, Newhouse PA, et al. Clock drawing in Alzheimer's disease: a novel measure of dementia severity. J Am Geriatr Soc. 1989;37(8):725-9.
Rouleau I, Salmon DP, Butters N, Kennedy C, McGuire K. Quantitative and qualitative analyses of clock drawings in Alzheimer's and Huntington's disease. Brain Cogn. 1992;18(1):70-87.