ABC — Escala de Comportamento Atípico

O que aplicarEscolha a escala completa ou apenas uma subescala.
Pontue o comportamento do paciente nas últimas 4 semanas. Para cada item, decida se o comportamento é um problema: 0 = não é problema; 1 = problema leve; 2 = problema moderado; 3 = problema grave.
  • Considere a frequência de forma relativa: se o paciente tem mais acessos de fúria do que a maioria das pessoas que você conhece, a gravidade provavelmente é moderada ou grave, mesmo que ocorram só uma ou duas vezes por semana. Outros comportamentos, como desobediência, precisam ocorrer com mais frequência para merecer a pontuação máxima.
  • Considere a opinião de outros cuidadores, se tiver acesso a ela. Se o paciente tem problemas com outras pessoas, mas não com você, leve em conta a situação de maneira geral.
  • Considere se o comportamento atrapalha o desenvolvimento, o funcionamento ou os relacionamentos do paciente, mesmo que não incomode os outros (por exemplo, balançar o corpo ou isolar-se).
  • Não se detenha muito em cada item: a primeira impressão geralmente é a correta.
1. Excessivamente ativo(a) em casa, na escola, no trabalho ou em qualquer lugar
2. Fere-se de propósito
3. Indiferente, lento(a), parado(a)
4. Agressivo(a) com outras crianças ou adultos (verbalmente ou fisicamente)
5. Procura se isolar dos outros
6. Movimentos corporais repetitivos e sem sentido
7. Barulhento(a) (ruídos grosseiros e inapropriados)
8. Grita inapropriadamente
9. Fala excessivamente
10. Crises de birra/acesso de fúria
11. Comportamentos estereotipados; movimentos anormais, repetitivos
12. Preocupado(a), distraído(a), fixa o olhar no vazio
13. Impulsivo(a) (age sem pensar)
14. Irritável e queixoso(a)
15. Inquieto(a), incapaz de permanecer sentado(a)
16. Retraído(a); prefere atividades solitárias
17. Estranho, comportamento esquisito
18. Desobediente; difícil de controlar
19. Grita em momentos inapropriados
20. Expressão facial imóvel, fixa; falta de resposta emocional
21. Incomoda os outros
22. Fala repetitiva
23. Não faz nada a não ser ficar sentado(a) e olhar os outros
24. Não é cooperativo
25. Depressivo(a)
26. Resiste a qualquer forma de contato físico
27. Movimenta ou balança a cabeça de trás para frente repetidamente
28. Não presta atenção às instruções
29. Os pedidos têm que ser atendidos imediatamente
30. Isola-se de outras crianças ou de adultos
31. Tumultua as atividades em grupo
32. Fica sentado(a) ou em pé na mesma posição por muito tempo
33. Fala sozinho(a) em voz alta
34. Chora por mínimos aborrecimentos e machucados
35. Movimentos repetitivos das mãos, do corpo ou da cabeça
36. O humor muda rapidamente
37. Não acompanha as atividades estruturadas (não reage)
38. Não permanece sentado (ex.: durante as lições ou outras atividades, refeições etc.)
39. Não fica sentado(a) nem por um tempo mínimo
40. Difícil alcançá-lo(a), contatá-lo(a) ou chegar até ele(a)
41. Chora e grita inapropriadamente
42. Prefere ficar sozinho(a)
43. Não tenta se comunicar por palavras ou gestos
44. Distrai-se com facilidade
45. Balança ou agita as mãos ou pés repetidamente
46. Repete várias vezes uma palavra ou frase
47. Bate os pés, ou faz barulho estrondoso com objetos ou bate portas com força
48. Constantemente corre ou pula em torno do cômodo
49. Balança o corpo para trás e para frente repetidamente
50. Causa machucados em si mesmo
51. Não presta atenção quando falam com ele(a)
52. Pratica violência contra si próprio
53. Inativo(a), nunca se move espontaneamente
54. Tende a ser excessivamente ativo(a)
55. Reage negativamente ao contato afetivo
56. Ignora propositalmente as instruções
57. Tem acesso de fúria ou birra quando contrariado
58. Demonstra pouca reação social aos outros

ABC — Escala de Comportamento Atípico

A ABC (Aberrant Behavior Checklist) foi criada por Aman et al. em 1985 para medir a resposta ao tratamento de alterações de comportamento em pessoas com deficiência intelectual. Hoje é uma das escalas mais usadas para acompanhar irritabilidade e agressividade no transtorno do espectro autista. A versão em português usada aqui é a de Losapio et al. (2011), na versão comunitária, para pacientes que vivem em casa.

Quem responde

Pais, cuidadores, professores ou outras pessoas que convivem com o paciente, que pode ser criança em idade escolar, adolescente ou adulto. O período avaliado são as últimas 4 semanas.

Instruções

São 58 itens pontuados de 0 (não é problema) a 3 (problema grave). É possível aplicar a escala inteira ou apenas as subescalas de interesse, por exemplo só a de irritabilidade para acompanhar o efeito de uma medicação.

Como o resultado é calculado

Cada subescala é a soma dos seus itens, conforme a distribuição original de Aman et al. (1985). A ABC não usa escore total.

SubescalaItensFaixa
I — Irritabilidade, agitação e choro2, 4, 8, 10, 14, 19, 25, 29, 34, 36, 41, 47, 50, 52, 570 a 45
II — Letargia e isolamento social3, 5, 12, 16, 20, 23, 26, 30, 32, 37, 40, 42, 43, 53, 55, 580 a 48
III — Comportamento estereotipado6, 11, 17, 27, 35, 45, 490 a 21
IV — Hiperatividade e não cooperação1, 7, 13, 15, 18, 21, 24, 28, 31, 38, 39, 44, 48, 51, 54, 560 a 48
V — Fala inapropriada9, 22, 33, 460 a 12

Como interpretar

A ABC não tem ponto de corte diagnóstico: o resultado é comparado com avaliações anteriores do mesmo paciente. Nos ensaios clínicos com risperidona e aripiprazol no autismo, a subescala de irritabilidade foi o desfecho principal; os participantes tinham irritabilidade de 18 pontos ou mais, e resposta ao tratamento foi definida como queda de pelo menos 25%. Para comparar avaliações, use sempre o mesmo informante.

Médias de referência (Aman et al., 1985)

Médias e desvios-padrão de cada subescala na amostra original, por sexo e idade. A amostra era formada por 754 pessoas com deficiência intelectual moderada a profunda que viviam em instituições na Nova Zelândia. Servem apenas como orientação: não são normas para crianças ou adultos que vivem na comunidade. No e-mail do resultado, cada subescala aparece ao lado da média do grupo de mesmo sexo e idade do paciente.

Idade (anos)nIIIIIIIVV
Masculino
5 a 10187,67 (7,89)3,84 (3,46)2,89 (4,43)14,27 (11,70)1,62 (1,62)
11 a 156710,33 (9,58)5,65 (6,61)4,15 (4,95)13,18 (10,70)1,18 (2,04)
16 a 20838,02 (9,31)9,07 (10,27)5,57 (6,60)10,38 (10,77)1,65 (2,90)
21 a 301428,64 (10,02)9,70 (9,30)5,94 (5,81)10,88 (11,60)1,67 (2,86)
31 a 501097,38 (8,57)10,38 (10,19)4,88 (5,50)10,56 (10,06)1,84 (2,97)
51 ou mais353,43 (3,96)5,41 (5,55)1,40 (3,33)4,74 (5,73)1,37 (2,91)
Feminino
5 a 101413,07 (10,73)4,93 (5,90)4,50 (5,38)18,72 (13,25)0,50 (1,40)
11 a 15349,18 (6,95)6,14 (8,59)4,73 (4,26)12,11 (8,88)1,35 (1,81)
16 a 205110,55 (8,42)9,76 (10,24)5,90 (5,68)10,34 (8,94)0,80 (1,72)
21 a 30908,46 (8,06)10,94 (11,04)5,67 (6,08)11,20 (11,60)1,45 (2,60)
31 a 50807,88 (9,77)8,83 (10,91)3,80 (4,81)8,48 (8,77)1,92 (2,99)
51 ou mais315,94 (5,97)6,51 (6,54)1,42 (2,69)4,70 (6,03)1,39 (1,94)

Valores em média (desvio-padrão). I a V: subescalas, na ordem da tabela acima.

Atenção

A ABC mede a intensidade de comportamentos e não faz diagnóstico. Mudanças bruscas de comportamento podem ter causas clínicas, como dor, constipação, infecção ou efeito de medicamentos, e devem ser avaliadas por um profissional habilitado.

Bibliografia

  • Aman MG, Singh NN, Stewart AW, Field CJ. The Aberrant Behavior Checklist: a behavior rating scale for the assessment of treatment effects. Am J Ment Defic. 1985;89(5):485-91.
  • Losapio MF, Silva LG, Pondé MP, Novaes CM, Santos DN, Argollo N, et al. Adaptação transcultural parcial da escala Aberrant Behavior Checklist (ABC), para avaliar eficácia de tratamento em pacientes com retardo mental. Cad Saúde Pública. 2011;27(5):909-23.
  • Research Units on Pediatric Psychopharmacology Autism Network. Risperidone in children with autism and serious behavioral problems. N Engl J Med. 2002;347(5):314-21.
  • Hirota T, King BH. Autism spectrum disorder: a review. JAMA. 2023;329(2):157-68.
  • Purba CAP, Febriyana N, Setiawati Y. Managing aggressive behavior in adolescents with autism spectrum disorder: pharmacological and non-pharmacological approaches. J Korean Acad Child Adolesc Psychiatry. 2024;35(4):223-9.