O que é demência e doença de Alzheimer?

Entenda de forma simples o que é demência, como ela difere do envelhecimento normal e qual o papel da doença de Alzheimer.


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Dr. Samir Salim

2026 | Leitura: min

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O que é demência e doença de Alzheimer

Demência não é envelhecimento normal

A palavra demência costuma causar medo — e isso é compreensível. Mas a primeira coisa importante é entender que demência não é uma doença única, mas um conjunto de sintomas que afetam nossa autonomia e nossas funções cognitivas como memória, raciocínio, capacidade de planejamento, atenção e linguagem.

Com o passar dos anos, é normal demorar mais para lembrar nomes ou precisar de mais tempo para aprender algo novo. Isso faz parte do envelhecimento saudável.

Já na demência, acontece algo diferente: os esquecimentos são frequentes e progressivos, começam a interferir no dia a dia e a pessoa perde autonomia. Como exemplos, pode-se citar esquecer compromissos importantes repetidamente, atrasar contas por esquecimento, se perder em lugares conhecidos, ter dificuldade para lidar com dinheiro, dificuldade de realizar uma compra de supermercado, dificuldade de retirar dinheiro no caixa eletrônico do banco ou de tomar medicações da forma correta.

É importante notar que somente deve-se valorizar os esquecimentos de atividades que a pessoa sabia como fazer. Assim, por exemplo, não podemos valorizar dificuldades de retirar um dinheiro da conta do banco se a pessoa nunca aprendeu aquela habilidade.

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, responsável por 60 a 70% dos casos. É uma doença do cérebro que leva à morte progressiva dos neurônios, afetando principalmente memória recente, linguagem, orientação e capacidade de tomar decisões. Com o tempo, os sintomas vão se tornando mais intensos.

Um ponto importante: a doença costuma começar de forma silenciosa, anos antes dos primeiros sintomas serem notados. Alterações no cérebro podem ocorrer décadas antes do diagnóstico e na fase clínica pode passar inicialmente despercebida pela pessoa e/ou pelos seus familiares.

Existem outros tipos de demência?

Sim — e isso é importante entender. Nem toda demência é Alzheimer.

Demência vascular

Relacionada a problemas na circulação do cérebro, como AVCs e isquemias. É a segunda causa mais comum de demência e frequentemente coexiste com o Alzheimer.

Demência por corpos de Lewy

Associada a alterações cognitivas combinadas com sintomas como alucinações visuais, flutuação da atenção e sintomas parecidos com os da Doença de Parkinson, como lentidão e rigidez.

Outras causas

Incluem doenças neurodegenerativas mais raras, como a demência frontotemporal, além de condições potencialmente reversíveis, como deficiências vitamínicas, hipotireoidismo e uso de certos medicamentos — que devem sempre ser investigadas. Na prática, cada tipo tem características próprias, mas todos afetam a função cerebral e a qualidade de vida.

Por que entender isso é importante?

Muita gente pensa: "É só idade." E isso atrasa o diagnóstico. Hoje sabemos que existem formas de retardar a progressão, que tratar os sintomas melhora muito a qualidade de vida, e que orientação precoce ajuda a pessoa e toda a família. Identificar a demência cedo permite planejar cuidados, adaptar o ambiente, acessar tratamentos disponíveis e manter a qualidade de vida por mais tempo.

Esquecer um nome às vezes é normal. Perder a autonomia não é. Se há dúvida, vale sempre investigar. O diagnóstico precoce faz diferença — tanto para quem tem a doença quanto para quem cuida.

Bibliografia

  • Livingston, G., Huntley, J., Liu, K. Y., et al. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 404(10452), 572–628. doi:10.1016/S0140-6736(24)01296-0
  • World Health Organization. (2023). Global status report on the public health response to dementia. Geneva: WHO.